Centro de Memória

15/09/2015 08:50

Curso Conversando com Sua História discutiu rede comercial de escravos entre Bahia e Angola

Curso Conversando com sua História
“Bahia e Angola nas redes comerciais do tráfico de escravos (1750 – 1808)” foi o assunto do Curso Conversando com Sua História da última segunda-feira (14), promovido pelo Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa) – que durante o mês de setembro abordará o tema “Tráfico de Escravos”, em uma série de palestras abertas ao público na Sala Katia Mattoso, Biblioteca Pública do Estado (Barris).

Ministrada pela professora e historiadora Cristiane Lyrio Ximenes (UNEB), a aula fomentou a discussão sobre o tráfico de escravos e as relações comerciais entre a Bahia e Angola no século XIX. “Temos um estudo aqui na Bahia que identifica uma determinada região da África, que não é essa região centro-ocidental onde hoje é Angola, e que na época eram os dois portos principais (Benguela e Luanda), e vamos trazer hoje aqui os dados, os números de quantos e como esses africanos chegaram, que não era um número insignificante como a gente acha que é por conta da região da Nigéria ser mais pesada, e mostrar como essas redes de comércio eram complexas e envolviam vários portos e várias rotas de tráfico”, disse a professora, que explicou também que, por conta das dificuldades de fiscalização das rotas, os desvios e contrabandos invisibilizaram as chegadas dos africanos dessas regiões aqui na Bahia.

“Na época, o Brasil ainda era colônia de Portugal, então ele tinha que obedecer as leis portuguesas, mas isso não acontecia. Havia uma fiscalização, se tentava normatizar esse comércio mas, consequentemente, aconteciam os desvios, o contrabando, que eles chamavam de ‘descaminhos’, e a chegada desses africanos dessa região aqui terminou ficando invisível por que o numero dele não era tão grande quanto a dessa outra região da África Centro-ocidental, que é a Nigéria”, esclareceu Cristiane Lyrio Ximenes.

A professora e historiadora falou ainda sobre a importância de se discutir esse tema, e da responsabilidade que esse comercio trouxe com os descendentes dos povos que escravizados que permaneceram aqui no Brasil, contribuindo para a atual configuração da sociedade brasileira. “O estudo da diáspora faz com que a gente entenda, na verdade, parte da história dos africanos no Brasil, porque eles não só foram escravizados, mas vieram pra cá através da escravidão, do aprisionamento à força, e aqui eles construíram toda uma forma de viver.

 Foi um contingente da África para o Brasil de 4 milhões de pessoas escravizadas, e não é possível que a gente tenha todo esse contingente populacional e não pense como que essa população está hoje. Então hoje temos que pensar na responsabilidade nossa com essa população que sabemos que é menos favorecida, mais desprovida de escolas, condições econômicas, que tem os menores salários. Então tudo isso é importante para que a gente perceba a responsabilidade da população brasileira com os afro-descendentes”, afirmou Cristiane Lyrio Ximenes.

O Curso Conversando com Sua História, que visa estimular debates entre pesquisadores, historiadores, estudantes professores e público em geral, ainda trará mais duas palestras para discutir o tráfico de escravos na Bahia com os historiadores Cândido Domingues e Urano Andrade. Confira a programação:

21/09 – “Pelo risco que lhe vai correndo no dito navio de mar e fogo e corsário: Bahia e Holanda no tráfico atlântico de escravos”, com Cândido Domingues (UNEB);
28/09 – “Arquivos baianos como espaço de memória do tráfico negreiro”, com Urano Andrade.
 
CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.
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