Centro de Memória

13/09/2016 18:10

Acervo digitalizado da coreógrafa Lia Robatto foi tema do Conversando com a sua História

Lia Robatto

“Descrição e digitalização do acervo de Lia Robatto” foi o tema do Conversando com a sua História, desta segunda-feira (12), na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Na mesa, a idealizadora e curadora do acervo da coreógrafa, Suki Villas-Bôas, a consultora técnica Aurora Freixo e a responsável pela execução arquivística do mesmo, Ivana Severino que falaram de todo o processo de curadoria, contextualização histórica e arquivística do projeto.

O acervo digitalizado é resultado do edital de Restauração e Digitalização de Acervos Arquivísticos Privados (14/2013), lançado através do Fundo de Cultura, gerido pela Secretaria da Cultura, sob a coordenação da Fundação Pedro Calmon, em 2014. A coreógrafa, autora de livros sobre dança e produtora cultural, Lia Robatto, relembra que: “quando era jovem, eu pensava em criar novos espetáculos, nunca em remontar um antigo. À medida que vamos envelhecendo, começo a compreender que o que a gente fez é o impulso, a alavanca para o futuro. Certo momento falei para a Suki que queria me desfazer do meu acervo, e ela começou a ver item por item e descobriu que de cada coreografia eu anotava todo o processo e a composição coreográfica, com desenhos do corpo e formas corporais”.

A pesquisadora, educadora, gestora e artista de dança, Suki Villas-Bôas, além de curadora do acervo de Lia Robatto, declarou que: “o acervo de Lia caiu em minhas mãos, e como sempre tive interesse em trabalhar com a memória de Dança, não pude deixar passar. No acervo há os processos de criação, trilhas sonoras, filmes de dança, entrevistas, recortes de jornais e mais de 50 críticas de dança. Então esse acervo, desta que é uma das pioneiras de Dança Moderna no Brasil, é muito amplo e remonta parte da história da Dança na Bahia desde a década de 60”.

A consultora técnica do projeto, Aurora Freixo, destacou que o acervo possui cerca de 10 mil documentos, e que cada página é lida, higienizada, restaurada, identificada, e classificada, para depois ser digitalizada. A digitalização teve apoio dos estagiários do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (ICI-UFBA). “Temos uma cultura de não assistência ao acervo cultural. A ideia é que esse acervo chame atenção da importância de preservar acervo privado de artistas. A arte de Lia pensa a relação entre a dança e a contemporaneidade. Seus espetáculos são sempre experimentais, o cenário e figurino sempre inovadores, além da inclusão de equipamentos tecnológicos, levando espetáculos para locais não convencionais de apresentação. Ela traz essa natureza inovadora e provocadora de Dança e levou a Bahia ao destaque nacional no cenário de Dança”, disse Suki, que é Mestre e Doutora pelo Programa de Artes Cênicas da UFBA, criou o Memorial da Escola de Dança da UFBA, e coordena o Laboratório Memória da Dança.Ba.

“Lia é um dos grandes nomes da Dança na Bahia e o seu acervo não poderia se perder com o tempo. É importante incitar esse debate sobre a preservação do acervo cultural, privado”, disse a estudante Isabela Freitas. Já o dançarino Emerson Farias, destacou que “Lia Robatto foi uma das percussoras da Dança Moderna no país e o seu acervo deve ser preservado e aberto ao público para estudos, pesquisas, entretenimento. Ela continua produzindo e muito, então esperamos que esse acervo continue a crescer”.

Doação – Todo o acervo digitalizado foi doado para o Centro de Memória da Bahia, que ao comemorar 30 anos, inaugura uma nova fase abrindo suas portas para além da política, recebendo também acervos privados de outras áreas, como a Cultura. Na ocasião, foi assinado o Termo de Doação do acervo pelo diretor do CMB, Rafael Fontes, pelo chefe de gabinete da FPC, Ary da Mata e por Lia Robatto. “Comecei a visitar lugares que queria que ficasse guardado esse acervo. Escolhi o Centro de Memória da Bahia porque é um local bastante equipado. O CMB tem equipamentos técnicos, equipe técnica especializada, e sei todo o meu trabalho acumulado de muitos anos será bem cuidado”, destacou Lia.

Finalizando o Conversando com a sua História em grande estilo, o Balé Jovem de Salvador apresentou a coreografia “Reflexa Cabala” de Lia Robatto.
Debates – O Conversando com a sua História Especial 30 anos segue com programação durante o mês de setembro. No dia 19, às 17h, a coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Daniele Amado; e o diretor do CMB, Rafael Fontes, falarão sobre os “Desafios de Centros de Documentação voltados para o recolhimento de acervos privados de interesse público”. O debate acontecerá no quadrilátero da Biblioteca Pública do Estado da Bahia.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador. Saiba mais sobre o Centro de Memória da Bahia.



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