Centro de Memória

20/09/2016 17:40

Conversando com a sua História debateu acervos privados de interesse público

Daniela Amada e Rafael Fontes palestrando“Desafios de Centros de Documentação voltados para o recolhimento de acervos privados de interesse público” foi o tema do Conversando com a sua História de segunda-feira (19), no auditório do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. De autoria do Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, o CSH recebeu a coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais (PAP) do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Daniele Amado; e o diretor do CMB, Rafael Fontes.

Iniciando a palestra, Daniela Amado falou sobre o CPDOC e sobre o (PAP): “O CPDOC foi criado em 1973 e hoje é uma Escola de Ciências Sociais da FGV. Tem objetivo de abrigar conjuntos documentais relevantes para a história do país, além de desenvolver pesquisas e promover cursos de graduação e pós-graduação. Os conjuntos documentais constituem o mais importante acervo de arquivos pessoais de homenspúblicos do país, com cerca de 200 fundos e um total de 1,8 milhão de documentos”.

O CPDOC se divide em dois projetos: o Programa de História Oral, que recolhe depoimentos de personalidade que atuaram no cenário nacional e conta com mais de 5 mil horas de gravação em quase 1 mil entrevistas; e o PAP, que tem objetivo de reunir, organizar e divulgar o acervo de arquivos privados doados ao CPDOC. O PAP é pioneiro na definição de uma metodologia para o tratamento de arquivos pessoais, possuindo uma base de dados própria, o Accessus, desenvolvido pela instituição em 2000.

“O CMB e o CPDOC são instituições muito diversas, mas que dialogam no mesmo sentido, de arquivar e disponibilizar ao público o acervo. O CPDOC é referência nacional em salvaguarda de documentos. A palestra acontece no sentido de discutir um horizonte para o CMB, pois completamos ontem (18) 30 anos e sentimos necessidade de repensarmos que tipo de documentação e que tipo de Centro de Memória queremos ser”, disse Rafael Fontes.

O diretor do CMB destacou que um dos desafios recebidos pela instituição no ano passado foi a abertura da linha de caracterização de acervo para um contexto mais amplo. “Temos três campos que dialogam entre si: cultura, arte e política, mas estes não eram articulados como deveria. Além disso, temos alguns memoriais voltados para as artes, mas que ainda não tinham um tratamento arquivístico e uma descrição adequada”, contou Rafael.

Na ocasião, Daniele Amado falou sobre alguns desafios encontrados no recolhimento e disponibilização dos acervos privados: “temos uma política de representação, difusão e disponibilização do acervo na web, que é também muito procurado por estrangeiros, então temos uma grande preocupação em disponibilizar o acesso livre a todos. Temos um projeto chamado ‘URLS’ amigável, que permite acesso aos documentos sem a necessidade anterior de fazer cadastro no site, além disso, na ficha de acesso, há botões de compartilhamento das redes sociais”.

Imagem do auditório com público assistindo a palestraO PAP ainda conta com uma ‘conservação preventiva’, que, de acordo com Daniele, há uma triagem do que será digitalizado a partir do que é mais procurado na sala de consulta pelos pesquisadores, para evitar digitalização de arquivos que não são buscados. “O documento não é apenas digitalizado, há uma avaliação do que precisa ser restaurado antes, e inserimos informações que auxiliam na compreensão do documento. Fizemos estudos e pesquisa de como controlar e monitorar os arquivos, até mesmo para verificarmos se algum arquivo está corrompido”, disse Daniele. Para facilitar ainda mais o acesso, foi desenvolvido um aplicativo da FGV onde é possível ter acesso aos documentos do CPDOC.

Rafael Fontes fechou a palestra destacando que: “o objetivo desse encontro é pensarmos de fato numa política pública de acervos privados pessoais e a formação de uma rede que beneficie a todos. O papel do CMB é ser um polo de articulação de acervo, quer estejam alocados no CMB ou em outra instituição”. “Acompanho sempre as palestras do CSH e o tema me interessa porque penso em trabalhar em museus e bibliotecas. Meu curso de história não me fornece uma formação adequada sobre acervos, então sempre participo de palestras e faço minicursos”, disse o estudante de história, Marcos Joanito Silva. Já o estudante de história Leonardo Ferreira, destacou que “gosto de participar das palestras, pois tenho informações aprofundadas sobre o tema, e absorvo muito conteúdo e conhecimento na área”.

Centro de Memória da Bahia – O diretor Rafael Fontes, destacou que “O CMB foi criado com objetivo de guardar acervo dos governadores da Bahia, então chegaram acervos muito pessoais, como cartas de/para familiares, e de relações políticas desses governadores.” Atualmente, o CMB possui três coordenações: o Memorial dos Governadores; a Casa Afrânio Peixoto, em Lençóis; e uma coordenação interna dividida em três: Acervos Privados; Documentação e Pesquisa; e Coordenação Técnica.

Na semana passada, o Centro de Memória da Bahia recebeu seus dois primeiros acervos privados artísticos-culturais: da coreógrafa, pesquisadora e professora de Dança, Lia Robatto, que em breve será disponibilizado para o público, já que chegou ao CMB em estágio avançado de descrição arquivística por ter sido contemplado em edital, e o do seu esposo, o fotógrafo Silvio Robatto. Atualmente, há outros acervos culturais em processo de doação ao Centro de Memória da Bahia que serão divulgados em breve.

BioRafael Fontes é historiador e gestor cultural, mestre em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Foi pesquisador do Laboratório de História e Memória da Esqueda e das Lutas Sociais da UEFS, dirigente municipal de Cultura de Irará (BA), e analista em gestão cultural da SecultBA. Desenvolve estudos relacionados à política e o campo cultural, especialmente partidos e militância política de esquerda e a cultura popular e afro-brasileira.

Daniele Amado é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em História Contemporânea pela mesma universidade. Coordenadora do Projeto de extensão “Café com arquivo: o documento em debate”, fruto da parceria entre o Departamento de Estudos e Processos Arquivísticos da UNIRIO e a Coordenação de Documentação da Escola de Ciências Social/ CPDOC da FGV.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.
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