Centro de Memória

19/04/2017 11:44

Conversando com a sua História debateu mistura racial no Brasil e EUA

Luciana BritoQuestões raciais no Brasil e nos Estados Unidos após a abolição da escravidão foi tema de estreia da nova temporada do projeto Conversando com a sua História. O primeiro encontro foi nesta terça-feira (18), com participação da doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Luciana Brito.

O evento é de autoria do Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/SecultBA, e nesta primeira edição do ano teve o tema “One drop”: A mistura racial no Brasil e os projetos de pureza racial nos Estados Unidos escravista e pós-abolição. Este ano o Centro de memória leva o projeto para o Espaço Xisto, que integra a Biblioteca dos Barris.

No período após a abolição da escravidão em alguns estados norte-americanos, políticas evitaram a mistura racial nos Estados Unidos, com medidas de segregação em igrejas, meios de transporte e até mesmo nas calçadas. Nesse mesmo período, o Brasil produziu várias ideias se contrapondo ao que acontecia nos EUA, sugerindo que por haver mistura de raças e segregação, não havia racismo – conforme apontado pela pesquisadora.

Luciana Brito“No Brasil, 5 milhões de africanos e africanas foram trazidos como escravos, enquanto que nos EUA, foram 400 mil. Mesmo assim, o Brasil se tornou espelho que mostrava que a mistura racial não dava certo, e parte dessa divulgação foi feita pelos viajantes americanos que fizeram expedições no Brasil entre as décadas de 1830 e 1850”, disse Luciana. 

De acordo com a historiadora, estes viajantes, que se concentraram principalmente no Rio de Janeiro e em Salvador, anotavam as impressões que tinham sobre a mestiçagem brasileira, as características físicas e psicológicas dessas pessoas e a imensa quantidade de negros no país. “Esses registros serviram como base de evidência do que os cientistas estavam propondo na época que a mestiçagem de fato não dava certo”.

Os americanos só mudaram um pouco a visão sobre o Brasil por causa de abolicionistas norte-americanos negros, como explicou Luciana: “por outro lado, eles utilizavam o mesmo estudo para acabar com o racismo nos EUA, e afirmavam que o Brasil era muito mais avançado pois as pessoas viviam em perfeita harmonia racial”. 

Luciana BritoDebates sobe raça

A estudante de pedagogia, Viviane do Espírito Santo, falou que: “eu sempre venho quando se trata de questões e debates sobre empoderamento e conhecimentos sobre a diáspora. O próprio ato de buscar conhecimento, é se empoderar”. 

O historiador Tom França, destacou que “os temas são pertinentes a minha área, mas hoje, em particular, o debate em torno da questão racial me interessa muito, pois é um tema que eu me debruço justamente por ser militante do movimento negro”. 

O diretor-geral da FPC, Zulu Araújo, destacou que: “essa nova edição do Conversando com a sua História tem dois marcos: o primeiro, é aproveitar os talentos que têm surgido na Bahia no campo da História para refletir sobre a nossa própria memória. O segundo, é fazer um momento confortável para o diálogo”.

O diretor do Centro de Memória da Bahia, Rafael Fontes, deixou claro: “é o mesmo Conversando, com a mesma estrutura e com temas mensais, só que num lugar novo. O evento ainda é o espaço de conversa e de troca experiências onde os estudantes têm insights de pesquisas futuras”.

O próximo debate será realizado no dia 25 de abril, próxima terça-feira, às 17h, no Espaço Xisto, também sobre Escravidão, com o doutor em História Social, Robério Souza. 

Fotos: Clovis Sampaio

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