Centro de Memória

11/05/2017 11:09

Memórias Contemporâneas estréia com debate sobre o papel do artista na Democracia

Memórias Contemporâneas estréia com debate sobre o papel do artista na Democracia

(Fotos: Manuela Muniz)

Fazer refletir sobre temas a partir de experiências globais, perpassando pelas relações de poder na contemporaneidade é a proposta do projeto “Memórias Contemporâneas”, que teve sua primeira edição realizada nesta quarta-feira (10), no Teatro do Goethe-Institut. O primeiro debate versou sobre os “Artistas em Defesa da Democracia”, com a presença do sociólogo e ex-ministro da Cultura Juca Ferreira (Brasil) e dos artistas Roy Dib (Líbano) e Cyrille Brissot (França).

A atividade é resultado de convênio de colaboração firmado entre a Fundação Pedro Calmon (FPC), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), e o Goethe-Institut Salvador-Bahia. O “Memórias Contemporâneas”, tem a coordenação do Centro de Memória da Bahia e abrange as áreas de história e memória, com objetivo de criar um banco de dados audiovisual acerca da cultura e seus agentes, a partir da década de 1950.

Memórias Contemporâneas estréia com debate sobre o papel do artista na DemocraciaRoy Dib é artista e cineasta em Beirute, no Líbano, e relatou a difícil convivência que tem com as questões políticas e de censura do seu país. “No campo internacional da arte existe uma problemática em que a própria democracia se tornou um produto, que pode ser comercializado e vendido. Então meu foco enquanto artista é discutir o que pode ser feito no campo da cultura local”, constextualiza o libanês. Dib é autor do curta “Mondial 2010” (2014), que ganhou diversos prêmios importantes, incluindo o Festival de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil (2015).

O ambientalista e ex-ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, defendeu que “a cultura é fundamental para solidificar uma democracia. Todos os mecanismos políticos que garantem a democracia são insuficientes em uma sociedade que não tenha uma certa coesão pela estrutura e pela capilaridade que a cultura tem com diversas singularidades e pontos de vista”. Juca Ferreira foi militante e resistente ao regime militar intaurado no Brasil na década de 60, tendo sido exilado no Chile, na Suécia e na França.

“A democracia não é algo estático. Então é preciso que o artista esteja vigilante, porque nosso papel é de, a todo tempo, jogar com a fronteira da democracia para colaborar na sua manutenção e na evolução cultural”. Esse foi o ponto de partida da fala do artista e músico francês, Cyrille Brissot, durante a edição de estréia do “Memórias Contemporâneas”. Formado em engenharia acústica na École des Arts et Métiers, Brissot vem colaborando com diferentes artistas brasileiros, a exemplo do baiano Carlinhos Brown, na criação de obras híbridas no cruzamento de diferentes campos artísticos.

Convênio FPC – Goethe – É um resgate entre a antiga relação entre ambas instituições e viabilizará – além do “Memórias Contemporâneas”, a realização de ações de fomento à publicação de livros de autores alemães e radicados na Alemanha, para a língua portuguesa, e de autores brasileiros para a língua alemã. Lançamentos, exposições, seminários, workshops sobre biblioteconomia, intercâmbio de experiências nos campos da pesquisa e das artes, mediação com bibliotecas e centros de documentação, também estão no escopo do convênio. O contrato de colaboração entre a FPC e o ICBA tem duração de dois anos podendo ser prorrogado pelas instituições.

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