Bibliotecas

13/05/2017 14:40

Celebração pelos 206 anos da Biblioteca Central é encerrada com bate-papo musical

BCEBSentado em meio à plateia, estava ele: um senhor de 90 anos, cabelos brancos, olhos lúcidos e atentos. Era o ex-governador da Bahia (1975 a 1979), Roberto Figueira Santos. Certamente, o professor e médico foi das pessoas de maior idade presentes à comemoração pelos 206 anos da Biblioteca Central do Estado da Bahia (BPEB). Amigo do então governador da Bahia, Luis Viana Filho, Roberto Santos viu o prédio da biblioteca ser construído e inaugurado, em 1970. .

O evento, realizado nesta sexta-feira (12), na Biblioteca Central, nos Barris, contou com uma programação especial durante todo o dia, aberta ao público de todos as idades, com apresentações de arte, cultura e educação. A performance do solo “O laço e o abraço”, poema de Mário Quintana, executada por Alice Becker, do Balé do Teatro Castro Alves, deu início às atividades festivas na BCEB.

E como em aniversário não pode faltar presente, Zulu Araújo, diretor geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, órgão gestor da biblioteca, assinou o contrato de doação de 11 mil obras ao acervo da BCEB, realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado e Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Já os agradecimentos do diretor, se estenderam aos servidores da biblioteca, sem os quais, segundo ele, “não seria possível celebrar este aniversário com tanta eficiência”.

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(Mesa de Abertura com Cristian Brayner (DLLB/MinC), Lívia Freitas, Fabíola Mansur e Zulu Araújo)

Em seguida foi a vez de saber mais sobre “O papel da biblioteca pública no século XXI”, com o Diretor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura (DLLLB/MINC), Cristian Brayner. A palestra propôs um espaço de reflexão quanto à importância da biblioteca na sociedade atual e qual papel ela tem perante a sociedade. “É importante que a Biblioteca seja um espaço uniforme, com diversas modelagens de linguagem. Onde não seja lugar apenas para alfabetizar ou para intelectuais”, pontuou Brayner.

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(Grupo Artístico da Escola Técnica da Casa Pia se apresenta para o público no aniversário de 206 anos da Biblioteca Central)

As comemorações continuaram pela tarde com a participação do Grupo Artístico da Escola Técnica da Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim. Dezenas de crianças e adolescentes se revezaram nas apresentações de música, dança, poesia e teatro, trazendo mais alegrias e emoções. Aos 10 anos, Davi Barros de Jesus, estudante do 5° ano, era o caçula do grupo que compõe há um ano, como membro do coral. Em seguida, foi a vez do cordelista Antônio Barreto levar literatura, música e poesia.

Presente ao evento, o curador geral da Festa Literária de Cachoeira (Flica), Aurélio Schommer, falou sobre a relevância das comemorações. Para o também historiador, “a Biblioteca Central é um marco, porque ela surge na mesma época do início da impressão de livros no Brasil, com a Silva Serva primeira gráfica em Salvador, fato importante para difusão da leitura na capital baiana”, esclarece Schommer.

O encerramento ficou por conta da segunda edição do projeto da FPC “O Violão e a Palavra”. O bate papo musical foi apresentado por Zulu Araújo e Lívia Freitas, diretora da BCEB, tendo como convidados o professor de português e literatura, secretário de Cultura, Jorge Portugual e o cantor, compositor e violonista, Roberto Mendes. “O Violão e a Palavra é um diálogo aberto com poesia e música, e nesta edição especial pelos 206 anos da Biblioteca Central, queremos deixar de presente a palavra cantada e encantada”, disse Zulu Araújo.

O Violão e a Palavra

(Lazzo Matumbi, Jorge Portugal e Roberto Mendes em "O Violão e a Palavra"

“A Biblioteca Central foi durante muito tempo, em uma época em que não existia computador ou internet, a única fonte de informação pública para as pessoas que queriam adquirir conhecimento, aqui na Bahia”, lembrou o poeta, Jorge Portugal. Ao seu lado, Roberto Mendes, acrescentou falando da alegria de estar presente. “Ver essa biblioteca ativa, cheia de vida me dá a certeza de que esse lugar resguarda algo muito especial. A Biblioteca Central merece todo nosso afeto e é isso que eu quero deixar com ‘O Violão e a Palavra’ de hoje”, declarou Mendes.

Mas quando a plateia estava se despedindo da noite, o cantor Lazzo Matumbi, que assistia ao espetáculo, foi convidado para compor um trio e apresentar suas histórias e canções. O que estava bom, ficou melhor e deixou um gosto de quero mais.

Fotos: Miguel Teles

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