Fundação Pedro Calmon

11/08/2017 16:10

Escritora portuguesa, Alexandra Coelho emociona público durante conferência na Flipelô

Escritora portuguesa, Alexandra Coelho emociona público durante conferência na Flipelô

Conferência contou com mediação de Gildeci de Oliveira (Foto: Leto Carvalho)

De Portugal, a escritora e jornalista, Alexandra Lucas Coelho, apresentou, pela primeira vez na Bahia, seu livro que tem muito a ver com a terrinha: “Deus Dará”. Na noite do primeiro dia da Festa Literária Internacional do Pelourinho- a Flipelô, Alexandra foi aplaudida de pé pelo público que lotou o Teatro do SESC-Pelourinho para vê-la e ouví-la falar do tema "Deus -dará: um livro que vem da Bahia e vai para Bahia", a convite da Fundação Pedro Calmon.

Durante o evento, que teve a mediação do professor da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Gildeci de Oliveira Leite, a escritora apresentou relatos sobre a inspiração para escrever a obra e falou sobre sua vivência no Brasil, durante o período em que esteve como correspondente, na cidade do Rio de Janeiro. Ao longo da Conferência, Alexandra se mostrou conhecedora da história política e social brasileira, fez críticas à negação escravocrata portuguesa e à omissão quanto à dimensão do papel desempenhado por Portugal nesta matéria. “Dos milhões de escravos traficados, Portugal foi responsável pela metade, isso não está nos manuais escolares, não se fala disso, não há memoriais sobre os africanos, ameríndios dizimados”, pontuou.

Na plateia, uma escritora também ilustre: Mabel Veloso. "Eu gosto muito de tudo que faça referência à Bahia e tenha também uma relação com Portugal. Ela [Alexandra Coelho] já esteve na minha casa e toda sua obra e representatividade me encantam", disse Mabel. A psicóloga Taíse Silva avaliou a atividade e se viu nas cenas trazidas por Alexandra. O livro tem um título que aguça a curiosidade e despertou meu interesse pela palestra. A escritora soube transmitir o que sentia e contextualizar. Apesar de não conhecer a obra, consegui fazer uma leitura das cenas."

Escritora portuguesa, Alexandra Coelho emociona público durante conferência na Flipelô

A escritora apresentou seu livro "Deus-Dará" durante a Conferência. (Foto: Leto Carvalho)

Ao longo de sua fala, Alexandra falou também de suas influências. "Eu sempre quis morar no Brasil desde a adolescência e, quando comecei a ouvir músicas baianas fui muito influenciada por Gil, Caetano, dentre outros. “Falta a Bahia neste livro, um amigo me disse certa vez e ele não acaba aqui. Deus Dará retrata as centenas de anos de escravidão, o cenário de desigualdades sociais e mostra, nitidamente, um Portugal como a maior potência escravagista no Ocidente. Dei um ponto nele, pois era necessário concluir, mas ele não parará por aqui", disse Alexandra, que se emocionou diante do público em pé, aplaudindo-a.

"A Flipelô é um aglomerado cultural e histórico no berço da história de Salvador. Não poderia haver melhor bairro para falar sobre a luta dos negros, a escravidão e as desigualdades existentes ainda nos dias de hoje" , disse a estudante, Fabiana Ribeiro, 26 anos. Já a estudante de Psicologia da Uneb, Juliana Carla, 25 anos, falou também da emoção de participar de um Festival deste porte, na capital baiana. "O Pelourinho é uma efervescência cultural e pra mim foi muito prazeroso. Apesar de não conhecer a obra “Deus-dará”, fiquei muito curiosa para entender o contexto e assimilar um conhecimento sobre o meu país, num olhar internacional", disse a estudante ainda em êxtase e desejando que o evento durasse mais algumas horas.

Escritora portuguesa, Alexandra Coelho emociona público durante conferência na Flipelô

Público lotou Arena Sesc Pelourinho para assistir a Conferência "Deus-Dará". (Foto: Leto Carvalho)

"O que me atraiu ao Pelourinho hoje foi a curiosidade de ouvir uma portuguesa fazer menção ao Brasil, e principalmente, à Bahia. A Conferência foi enriquecedora, pela abordagem histórica e as experiências vivenciadas pela escritora", enfatizou a estudante Ana Carolina Santos, 18 anos. Alexandra Lucas Coelho estará, neste sábado (12), às 15h no Centro de Formação e Artes (Funceb), para uma Roda de Conversa com escritores baianos. A atividade é aberta ao público.

FLIPELÔ - Realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, em co-realização com o Sesc, a FLIPELÔ conta com o apoio financeiro do Ministério da Cultura e Instituto CCR, através da Lei Rouanet, e Governo do Estado da Bahia.

Confira galeria de fotos no Flickr.

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