Centro de Memória

04/10/2017 14:00

“O negro na rua do Carnaval de Salvador” marcou o início do Conversando com a sua História em outubro

“O negro na rua do Carnaval de Salvador” marcou o início do Conversando com a sua História em outubro

Foto: Amanda Moreno

O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Milton Moura, iniciou ontem (3) o último ciclo do Conversando com a sua História desse ano com o tema “A presença do negro no meio da rua no Carnaval de Salvador”. Religiosidade, música e identidade negra são as principais temáticas desse mês no projeto que é de autoria do Centro de Memória da Bahia.

O professor, que também é membro do Programa de Pós-graduação em História e do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade da UFBA, destacou que um dos modos de estudar a história do carnaval é buscar onde estão os pobres e as pessoas em condição de subalternidade.

Milton deu início à palestra mostrando alguns quadros medievais que mostravam camponeses ocupando o meio da rua em festivais e festas que hoje poderiam ser consideradas o Carnaval. Depois, apresentou uma série de cenas e fotografias do Carnaval de Salvador entre as décadas de 1940 e 1980 enquanto tecia comentários.

“O negro na rua do Carnaval de Salvador” marcou o início do Conversando com a sua História em outubro

Foto: Amanda Moreno

“O Carnaval sempre foi marcado pelo excesso. É o momento em que o povo ocupa, literalmente, o meio da rua. Há diversas canções de Dodô e Osmar e Moraes Moreira que falam sobre isso. O subalterno não costuma ocupar o centro da rua e o centro da praça, isso só acontece no Carnaval”, contou Milton.

Escolas de samba e blocos carnavalescos como a Juventude do Garcia, Inocentes em Progresso, Filhos do Fogo, Mercadores de Bagdá e Diplomatas de Amaralina foram destacados pelo professor. As fotografias dos festejos revelam uma realidade diferente da atual: “não havia uma preocupação estética de que o negro que fosse subir ao palanque fosse o mais belo, com arcada dentária perfeita, que tivesse um corpo magro e fosse jovem”, ele disse.

“Esse preocupação é mais recente. Nas décadas de 1940 a 1960 o importante era estar no meio da rua, não importando se você tinha um corpo e uma beleza que agradasse. Quem quisesse poderia estar lá. A apropriação da rua é o que encanta no Carnaval”, destacou o professor Milton Moura.

A aposentada Clarice da Silva foi a primeira vez ao CSH pela proximidade com o tema: “já frequento a biblioteca, ai descobri que hoje o curso ia falar sobre a época que eu mais curti Carnaval. Sempre morei em Amaralina. Meu cunhado, inclusive, era passista da Diplomatas de Amaralina e saía todo ano. Até hoje minha irmã guarda a fantasia dele”.

Já o estudante de História Cleonilson dos Santos foi motivado pelo palestrante: “Milton já foi meu professor. Eu sou do interior do estado, de Valença, e eu me vejo nesse contexto do negro, do ‘de fora’ que ocupa o centro do Carnaval”.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

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