Livro e Leitura

06/12/2017 17:30

Premiados no IV Concurso Escritores Escolares discutem trabalho infantil e bullying nas poesias e redação

Estudar, aprender e brincar são momentos essências na vida de uma criança. Porém, algumas delas perdem esse tempo por estarem trabalhando, ou escondendo as violências físicas e psicológicas que sofrem em um ambiente escolar. O trabalho infantil e o bullying foram às temáticas dos textos de Jocimara Chaves, Kauã Araújo Lima e Alisson Santos de Carvalho, premiados no IV concurso Escritores Escolares Poesia e Redação, coordenada pela Diretoria do Livro e da Leitura da Fundação Pedro Calmon.

“Toda criança tem direito a brincar, só que algumas delas têm que trabalhar porque os pais não conseguem emprego. Muitas vezes, devido à situação, resolvem trabalhar para ajuda-los”, disse Jocimara.

Premiada na categoria poesia, com o texto Sobre Crianças, Pipas e Sonhos, Jocimara Chaves (14), é estudante do Fundamental II, na Escola Municipal Miguel Mirante, Premiados no IV Concurso Escritores Escolares discutem trabalho infantil e bullying nas poesias e redaçãoem Brumado.

“O que me motivou a escrever sobre essa situação foi porque fiquei muito tocada ao ver crianças que moram nas periferias e que, muitas vezes, os pais não têm condições de realizarem os sonhos delas”, contou Jussara. As maiores incentivadoras dela foram à professora de língua portuguesa e a diretora da escola.

Periferia...
Céu azul...
Várias pipas coloridas no ar
Pipas de crianças
Que brincam e esperam
O amanhã chegar
Mesmo com o futuro incerto
E a pobreza tão perto
São crianças
E não deixam de sonhar...

Trecho da poesia, Sobre Crianças, Pipas e Sonhos,
De Jocimara Chaves

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Pnad Contínua, divulgados no dia 27 de novembro de 2017 pelo IBGE, 1,8 milhões de crianças de 5 a 17 anos, trabalhavam no Brasil, em 2016. Desse contingente 54,4%, 998 mil, estavam em situação de trabalho infantil.

Nas feiras, nas sinaleiras, nos ônibus, é fácil enxergamos crianças nessa situação de trabalho. O premiado na categoria poesia, com o texto Minha Mãe foi a Feira, Kauã Araújo estudante do ensino fundamental I, na Escola Lícia Maria Alves Pinho, em São Francisco do Conde, expôs no papel, esse retrato das ruas que tanto o incomoda.

“Vejo crianças trabalhando nas ruas. As crianças não devem trabalhar para não terem problemas de saúde. Elas deveriam estar na escola, deveriam estar brincando. As pessoas podem denunciar os casos no Conselho Tutelar”, disse Kauã.

Para denunciar, as pessoas podem ligar para o disque denuncia (100), no site do Ministério Público do Trabalho (MPT), ou pessoalmente no Conselho Tutelar, na Secretaria de Assistência Social, na Delegacia Regional do Trabalho ou no MPT.

A aprendizagem foi o maior motivador do jovem para participar do concurso. Ele disse que foi a professora que o aconselhou a escrever uma poesia, e que tinha sido a primeira que escreveu. “Escrevi o texto a partir do que vi na feira de Candeias, algumas crianças estavam vendendo várias coisas. E pelas ruas nós vemos várias trabalhando”, contou Kauã.

Minha mãe foi à feira
E viu duas crianças na cadeira
Que trabalhavam muito
Com as macaxeiras
Minha mãe foi à feira
E viu crianças
Obrigadas a trabalhar
Com as barraqueiras

Trecho da poesia Minha Mãe foi a Feira
de Kauã Araújo,

Premiado na categoria de redação, com o texto A História de Gordinez, Alisson Santos de Carvalho (13), estudante do fundamental II, pela Escola Nossa Senhora de Lourdes, em Lauro de Feitas, retrata através da personagem principal, a situação das crianças que são vitimas do Bullying (violências físicas e psicológicas).

“Está acontecendo frequentemente nas escolas”, ressalta o jovem. No país, segundo dados divulgados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2015, aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma a cada dez crianças são vítimas de bullying.

Premiados no IV Concurso Escritores Escolares discutem trabalho infantil e bullying nas poesias e redaçãoAs consequências desses atos podem ser trágicas, além das crianças e jovens quererem abandonar os estudos, podem apresentar baixo rendimento, baixa autoestima, agressividade, para demonstrar que não são covardes e passam a fazer o mesmo com pessoas mais indefessas, o que há torna vitima e agressora e tentar ou cometer suicídio.

Na história, Gordinez evita contar aos pais o que ocorre e tenta cometer suicídio. “É importante que se converse com os pais, porque senão essa situação não vai terminar. A escola pode enfrentar essas situações de bullying com atividades de conscientização”, disse Alisson.

Era uma vez um garoto gordinho que acordava bem cedo para fazer suas tarefas, estudar e brincar, mas fazia tudo sozinho, porque ele não tinha amigos e sofria perseguição na escola só porque era gordinho. Certo dia, um garoto violento da escola o viu na fila da lanchonete e começou a humilha-lo.
Trecho da redação, A História de Gordinez, de Alisson Santos.


 

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