Centro de Memória

21/12/2017 15:10

Está aberta ao publico a exposição “Sentido Figurado: Silvio Robatto”

Está aberta ao publico a exposição “Sentido Figurado: Silvio Robatto”

Foto: Lucas Rosário/ SecultBA

Com mais de 50 anos de carreira, fotografando aspectos do cotidiano e festas populares do estado, o artista Silvio Robatto produziu mais de 400 obras. Entre quadros e fotografias, o Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade vinculada a Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult), em parceria com Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), com curadoria assinada por Murilo Ribeiro e organizada por Lia Robatto, reuniram 40 obras do fotógrafo, que integram parte do acervo privado de Silvio, e apresentaram, na quarta-feira (20), a Exposição Sentido Figurado: Silvio Robatto, no Palacetes da Artes, na Graça. As obras ficarão expostas até fevereiro de 2018.

Zulú Araújo, diretor da Fundação Pedro Calmon, considera ainda mais especial a exposição, por se tratar de uma homenagem ao amigo e professor, que conheceu na década de 70, ainda estudante de Arquitetura. “Estes fragmentos da sua extensa e magnífica obra, registradas ao longo da vida é muito mais que uma mostra artística ou conceitual, é uma história de vida. Estamos disponibilizando ao público obras de um grande artista, graças a generosidade de Lia que doou toda a obra de Silvio ao Centro de Memória”

A secretária de Cultura, Arany Santana, ressaltou a importância de Silvio Robatto para a história da Bahia. “É um momento muito importante para a cultura do estado. Me sinto muito honrada em viver para presenciar isso. Muito obrigado Lia por doar esse acervo a Fundação Pedro Calmon. Esse olhar de Silvio pela cultura popular sempre me fascinou”.

Está aberta ao público a exposição

Foto: Lucas Rosário/SecultBA

O acervo de Silvio Robatto passou pelo processo de higienização, restauração, organização e digitalização para ser disponibilizado ao público em suporte digital que será disponibilizada na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé.

Organização - Lia Robatto é a responsável pela organização das fotos de Silvio Robatto, desde 2008, ano de seu falecimento. Ela explica que abrir este acervo, com o apoio do governo do Estado, tem o compromisso de apresentar a abrangência do interesse de seu autor. “Foi difícil a escolha das séries, tendo que descartar várias temáticas igualmente significativas, sendo que o critério de seleção foi escolher as fotos mais trabalhadas por ele”, explica.

A coreógrafa também destaca que, na exposição, serão apresentadas as duas vertentes do trabalho de Silvio, com características bem diferenciadas do artista: onde as fotos expressam a sua sensibilidade e poética através de uma técnica fotográfica tradicional mais depurada e a outra, recriações das suas próprias fotografias, através de interferências digitais, propositalmente com baixa resolução, em busca de efeitos dos “pixels”, numa aproximação do desenho e gravura, chegando por vezes à abstração do conteúdo. “Esta exposição não apresenta um percurso cronológico, nem um mapeamento territorial. Silvio nunca identificava suas fotos, justificando que seu ofício não era a reportagem. O que perseguia era o “sentido figurado”, ou seja, o sentido poético, estético e conceitual de cada imagem”.

Está aberta ao público a exposição

Foto: Lucas Rosário/ SecultBA

Biografia - O cineasta, diretor de fotografia, arquiteto e fotógrafo Silvio Pereira Robatto nasceu no dia 24 de outubro de 1935 em Salvador (BA). Filho de Stella Pereira e do dentista e pioneiro do cinema baiano, o cineasta Alexandre Robatto Filho. Ingressou em 1954 no curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi professor. Os primeiros trabalhos de Silvio como fotógrafo foram os registros de seus colegas do Colégio Maristas. A partir daí seu horizonte temático se alicerçou na cultura popular da Bahia, entre festas populares como a Lavagem do Bonfim, o Presente de Yemanjá, no 2 de Fevereiro, a Festa de Santa Bárbara, no universo simbólico do Carnaval; ou nos festejos do 2 de Julho. Na fotografia realizou trabalhos importantes e reconhecidos com a participação de suas fotos juntamente com as de outros fotógrafos apresentadas por Lina Bo Bardi, com curadoria de Martim Gonçalves na V Bienal de São Paulo, na Exposição Bahia, em 1959. Participou de diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Aposentado, atuou como arquiteto da prefeitura e diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia. Morreu em 30 de abril de 2008, aos 72 anos de idade. Casado com a coreógrafa Lia Robatto, deixou dois filhos, os músicos Pedro e Lucas Robatto e três netos.

Confira álbum de fotos completo no Flickr.

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