Centro de Memória

15/05/2018 09:30

Relações África-Brasil foram debatidas no Memórias Contemporâneas

memórias
Fotos: Diego Santoro/FPC

“Me sinto em casa, por causa das raízes ancestrais que reconheço aqui”, disse a princesa Iya Adedoyin Talabi Faniyi que está no Brasil fazendo uma residência e esteve no Projeto Memórias Contemporâneas, nesta segunda-feira (14).


Ela é de uma tradicional família real nigeriana e cresceu sendo treinada por diferentes sacerdotes e sacerdotisas, além de artistas sagrados para desenvolver atividades tradicionais, como têxteis e pinturas.


O Projeto trouxe o tema Identidades Diaspóricas, que debateu sobre o trânsito entre Brasil e África, com foco nas religiões Yorubá e Bantu, na África, - elas são também línguas, povos e culturas. A princesa Iya Adedoyin contou a história dos Orixás, dos rituais e de encantamentos da religião Yorubá, assim como experiências sagradas.


Com o objetivo de constituir um banco de dados audiovisual acerca da cultura, a partir da década de 1950, além da princesa, o projeto também contou com a participação da artista visual Ana Hupe, brasileira radicada na Alemanha. Ela estuda a história dos africanos que vieram para o Brasil, especialmente mulheres africanas.


Na oportunidade, Hupe contou a história de duas mulheres nigerianas que escolheram o Brasil para morar. Para ela, “está sendo positivo conviver com a princesa Adedoyin e perceber o elo que a África tem com a Bahia. Na convivência com ela, tenho observado seus comentários em terreiros de candomblés e outros locais que as tradições não são tão diferentes”, afirmou.


O encontro foi registrado em vídeo e se atentam à relação de organizações e movimentos sociais com o campo da cultura e o protagonismo das linguagens artísticas nas disputas identitárias. O diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulú Araújo, esteve no evento e destacou como é representativo esse debate acontecer no mês de maio, uma vez que dia 11 de maio é o Dia do Reggae; dia 13 comemora-se a Abolição da Escravatura; e dia 25 é o Dia da África.

Relações África-Brasil foram debatidas no Memórias Contemporâneas 


O diálogo entre os convidados e o público gera uma outra fonte de conhecimento que não apenas os documentos escritos. Nesta perspectiva, Maria Fiedler, coordenadora de programação cultural do Goethe-Institut, destacou a importância das trocas de conhecimentos entre pessoas de diversos países. Para ela, “o instituo é um espaço de compartilhar conhecimentos de vários lugares do mundo e conectar pessoas e culturas, disse Fiedler.


O debate iniciou com a apresentação dos ogãs do terreiro de Tumbansé e contou com a mediação e tradução de Ricardo Aragão, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Moisés Lino e Silvia, professor de antropologia da UFBA, respectivamente. A Mãe de Santo, Dona Sissi, também esteve no evento.


O debate aconteceu na biblioteca do Goethe-Institut-Salvador/BA e é uma realização conjunta da Fundação Pedro Calmon (FPC), entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA) e o Goethe-Institut. A parceria entre as instituições atribui ao projeto o compromisso de desenrolar temas de reflexão a partir de experiências globais.


CMB
- O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.