Fundação Pedro Calmon

07/11/2019 10:40

Slams, saraus e batalhas de rap sinalizam influencia jovem na produção poética brasileira

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Foto: SESC/Divulgação

Uma rasura nas formas convencionais e metrificadas de fazer poesia caracteriza o marco jovem e contemporâneo da poesia dos slams e de outras modalidades competitivas da poesia falada, menciona a slammer e pesquisadora Bell Puã, de Pernambuco. No dia 13 de novembro, no primeiro Festival Literário Nacional (Flin) do Governo do Estado da Bahia, no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras, ela compartilha mesa com o slammer Kuma França, de Salvador, dividindo talento e conhecimento sobre poesia crítica e contemporânea.

Bell explica que a diferença de um slam para uma batalha de rap é que no segundo ocorre o improviso. "O slam é uma batalha também, mas é de poesia falada, que não precisa ser improvisada na hora. Pode até ser lida, inclusive, e tem suas regras bem específicas".

Ela conta que o sarau também é um espaço de poesia falada performada, mas sem competição ou nota. "É puramente o exercício de levar poesia para aquele espaço, reunir os poetas e recitar livremente".  O slammer Kuma França destaca que o slam também é um lugar de difusão de pensamento crítico às estruturas sociais, muitas vezes protagonizado por escritores dissidentes, das margens.

"É onde a literatura migra. A poesia negra, marginal, independente do tema, seja de revolta ou de amor, será sempre marginalizada, porque somos corpos marginalizados. E no slam aparecem os sinais das sementes que os nossos ancestrais plantaram e as que estamos plantando para o futuro", diz.

No dia 14, a slammer Mel Duarte, famosa por sua atuação na coletiva Slam das Minas de São Paulo, vai estar na mesa Linhas de Afeto na Zona de Batalha Zeferina, falando de afetividades negras e poesia, a partir dos seus escritos e expressão nos slams. "Tenho certeza que será um encontro lindo e fortalecedor, sou fã da Ryane e da Lívia e no mês do meu aniversário, esse encontro será um presente".

Escritora, poeta, slammer, produtora cultural. Mel atua com literatura desde 2006. Publicou os livros Fragmentos Dispersos (2013), Negra Nua Crua (2016) e Negra Desnuda Cruda (2018), em espanhol. Integra a coletiva Slam das Minas (SP) e, em 2016, foi destaque no sarau de abertura da FLIP. Foi a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam (campeonato internacional de poesia), que acontece dentro da FLIP, no Rio de Janeiro.

Surgimento

Embora o slam tenha ganhado popularidade no Brasil, seu surgimento foi nos Estados Unidos, em 1980, influenciado pelo movimento de verso livre ou o rap, como é conhecido. Seu criador foi Mark Kelly Smith, poeta de Chicago, que criticava a poesia da época, por seu caráter elitista e pouco acessível às massas. No slam, a poesia se mescla a performance do corpo e da voz, seguindo as regras que melhor combinem com esses elementos em ação.

Em 1990, Mark organizou a primeira competição nacional de slam do mundo, nos Estados Unidos.


Flin é abreviação do Festival Nacional Literário (Flin): Diversas Leituras & Novos Caminhos - projeto realizado pelo Governo do Estado da Bahia e coordenado pela Secretaria de Cultura (SecultBA), através da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA).  O Festival conta com a parceria das secretarias de Administração (SAEB), através da Superintendência de Atendimento ao Cidadão (SAC); de Comunicação (SECOM); de Educação (SEC); de Meio Ambiente (SEMA); de Saúde (SESAB), através da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (HEMOBA); de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), através do Serviço de Intermediação para o Trabalho (SINEBAHIA) e da Superintendência  dos Desportos do Estado da Bahia (SUDESB); de Políticas para as Mulheres (SPM); de Promoção da Igualdade Social (SEPROMI); de Tecnologia e Ciência (SECTI); de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), através da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON) e de Turismo (SETUR), através da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa), além da Defensoria Pública do Estado da Bahia; da Empresa Gráfica da Bahia (EGBA); do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).

MAIS INFORMAÇÕES:

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