Fundação Pedro Calmon

25/11/2019 14:40

Líder de projetos do Canal Futura fala sobre parceria com o Flin e da sua experiência com projetos sociais

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Goiano, radicado no Rio de Janeiro, Tiago Gomes foi um desses jovens sonhadores de bairros populares do Brasil. Acreditava na educação e na comunicação como ferramentas de transformação social. Idealista, em 2000 deu início aos seus estudos em teatro na Universidade Federal de Goiás (UFG). Anos depois migrou para o Rio para estudar cinema e, a partir das suas realizações audiovisuais, foi convidado a dar aula na CUFA (Central Única de Favelas). Atualmente assume a liderança de projetos do Canal Futura, organização apoiadora do Festival Literário Nacional (Flin).

Apesar de ter vivido em um bairro popular durante sua infância e adolescência, sua relação com projetos sociais começou mais tarde, quando iniciou a graduação em teatro. Durante seus estudos, foi convidado a ministrar um curso de dramaturgia da dança para jovens de oito cidades satélites do Distrito Federal pelo período de seis meses. Segundo Tiago, foi uma experiência marcante.

“A violência nas periferias fora dos grandes centros urbanos é brutal. Com a diferença de que são invisíveis. O que é muito cruel com essa juventude, pois jovens de algumas favelas do Rio ou de São Paulo, são vulneráveis, mas pelo midiativismo que desenvolvem não estão em um patamar de invisibilidade como jovens de outras regiões do país”, relatou. Mas foi na CUFA, a partir de 2007, que o trabalho do cineasta foi tomando corpo e, aos poucos, ele passou a ocupar cargos de gestão.

Desde jovem Tiago vê na literatura, no cinema, na dança, na música e no teatro expressões políticas muito fortes e potentes. Assim ele foi compreendendo desde cedo que se instrumentalizar dessas ferramentas para produzir uma arte que impactasse as pessoas era um caminho para transformar a realidade sem ter que, necessariamente, disputar espaços de poder.

Hoje mestre em História e Política, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o cineasta diz trabalhar por causas. “Por isso a CUFA e o Canal Futura fazem todo sentido na minha trajetória. O Canal Futura é uma instituição que desenvolve um trabalho de educação e comunicação dos mais importantes no país”, disse. Tiago explicou que a relação com o Festival Literário Nacional (Flin) é parte desse engajamento da instituição em projetos que envolve a emancipação da juventude através da leitura e, principalmente, da formação de novos autores, escritores e roteiristas, com o intuito de construir um imaginário de país que não seja somente branco e de classe média.

“Esse é um país plural e diverso. Nossas narrativas precisam espelhar essa pluralidade e acreditamos que eventos como o FLIN são projetos essenciais para construir um ambiente que propicie o surgimento de novos autores”, pontuou.

Tiago Gomes mediou a mesa Outras Conversas sobre os Jeitos do Brasil, com os cineastas Rodrigo Felha e Jamile Coelho, durante o Flin e teve a oportunidade de conhecer  trabalhos e autores da cena cultural do Nordeste e outras regiões do Brasil. “Fiquei espantado como o Flin começou gigante. Foram muitas mesas, palestras e diversas ações logo na primeira edição. A impressão foi a melhor possível, não só pela quantidade de ações, mas pela qualidade da curadoria”.

Há alguns anos o Futura apoia a FLUPP (Festa Literária das Periferias), no Rio de Janeiro, e essa experiência já destaca autores como Jessé Andarilho e Geovani Martins, frutos do processo de formação do festival no Rio, que hoje têm alcance e visbilidade nacionais.

Ele lembra que a grande importância de festivais como o Flin e o FLUPP é que eles sejam contínuos para que tenham um impacto social. Ele sugere que o Flin seja realizado anualmente e mantenha suas ações de formação durante boa parte do ano. “Se o Flin, seguir esse caminho brilhante como foi nessa primeira edição, tenho certeza que a médio prazo teremos jovens escritoras e escritores vindos de bairros populares de Salvador. Quem sabe o novo Jorge Amado não estivesse ali em Cajazeiras participando ou sendo estimulado por ações do Flin? Eu acredito que sim”.

O Festival Literário Nacional (Flin), que foi realizado pelo Governo do Estado da Bahia, sob coordenação da Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult), teve sua primeira edição de 12 a 15 de novembro de 2019, no bairro de Cajazeiras, com uma programação extensa, que agregou cerca de 100 artistas de todo país no Ginásio Poliesportivo.

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