Independência do Brasil na Bahia 2017 | História

Independência da Bahia 2017




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Do “Grito do Ipiranga” ao sangue na Baía

Independência

Pedro Américo: Independência ou Morte/O Grito do Ipiranga - Museu Paulista - Universidade de São Paulo

O processo de Independência do Brasil normalmente é representado pela mítica pintura “Independência ou Morte” de Pedro Américo (produzida em 1888). Nela, vemos o então príncipe regente Pedro de Alcântara de Bragança e sua comitiva cercados pela sua guarda, de espada em riste, declarando a independência do Brasil. Essa imagem está presente em todos os nossos livros de História e povoa nossas aulas de história na escola. Contudo, por detrás da imagem mitificada pelo pintor dos heróis nacionais, Pedro Américo, temos muitos outros fatos de relevância que são ignorados, muitas das vezes, pela historiografia brasileira. Um deles, que Pedro Américo até nos deixa a deixa em sua tela é a participação popular. Na historiografia como na “Independência ou Morte” de Pedro Américo, o povo está à margem do fato histórico, alheio, ou apenas como um espectador. Mas, será mesmo que o processo de independência da colônia portuguesa nas Américas, a maior colônia da América do Sul, se deu por decretos palacianos e rupturas políticas?

O dia Sete de Setembro de 1822, feriado nacional, foi apenas a data do conhecimento pelo então príncipe regente do decreto de sua esposa, interina na Regência do Reino do Brasil, da Independência do Brasil em relação à Portugal. O que significava que o Reino do Brasil não era mais subordinado à Corte Geral Portuguesa, mas D. Pedro ainda portava-se como Príncipe Regente e D. João VI de Portugal, como Rei do Brasil. Essa situação só foi resolvida em 12 de outubro, quando o príncipe regente foi aclamado D. Pedro I, imperador Constitucional e Defensor do Brasil.

Estes fatos bastaram para consolidar a independência do Brasil e o novo governo no sudeste. Contudo, revoltas e rebeliões espalharam-se pela Cisplatina (atual Uruguai), Piauí, Maranhão, Grão-Pará (atuais Pará e Amazonas) e na Bahia. Em todos estes território houve conflitos, em sua maioria, restritos a aquartelamentos e expulsão das governantes ligados às Cortes Portuguesas.

Independência da Bahia

O Primeiro Passo para a Independência da Bahia, Palácio Rio Branco, Salvador, Bahia.

Na Bahia, contudo o processo foi mais denso e marcado por três movimentos: o primeiro político, protagonizados pelas câmaras municipais (órgão legislativo, executivo e judiciário no período colonial) das principais vilas da Província que passaram a reconhecer D. Pedro como Imperador e a reivindicar o retorno de seus representantes das cortes portuguesas; o segundo, promovido por tropas lusitanas e o Governador de Armas, Tenente-Coronel Madeira de Melo, que sitiou a cidade do Salvador e tomou suas fortificações; e a terceira pela população baiana que se armou e enfrentou as tropas lusas até a sua expulsão do território baiano.

A Bahia sitiada:

O Governador de Armas, Tenente-Coronel Madeira de Melo, ocupou a cidade do Salvador logo após a recusa do príncipe regente a voltar a Portugal em janeiro de 1822. O seu maior interesse era garantir à metrópole a região produtora de cana de açúcar e, consequentemente, todo o norte da colônia. Madeira de Melo manteve a posse da cidade mesmo enfrentando resistência da população. O seu domínio acarretou num desconforto dos deputados baianos na corte portuguesa os quais consultaram as câmaras municipais sobre o que desejavam.

As câmaras de Cachoeira e São Francisco do Conde foram as primeiras a declararem o desejo de serem vinculadas ao Rio de Janeiro em detrimento de Lisboa. A estas cidades seguiram outras do Recôncavo. E, em 25 de junho de 1822, portanto, anterior à Independência oficial do Brasil, a população de Cachoeira reconheceu o Príncipe Regente como governante do Brasil e enfrentou ataque vindo de uma fragata enviada por Madeira de Melo.

O povo cachoeirano resistiu ao ataque de Madeira de Melo e daí se iniciou uma série de batalhas para a expulsão das tropas portuguesas da baía de Todos os Santos e da costa. Estas batalhas duraram mais de um ano e foram formadas por populares armados das mais variadas formas e com pouca base militar. Vieram ao fronte encouraçados e vagueiros, negros libertos e escravos, senhores e fidalgos. As tropas foram alimentadas pelo gado e outros alimentos enviado do sertão. A guerra se deu no recôncavo, mas mobilizou todo o estado, de Caetité a Jacobina, de Salvador ao São Francisco.

Independência do Brasil na Bahia

Oséas Santos: Encourados do Pedrão, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

O ápice desta guerra se deu em Pirajá e Cabrito. Ali, as tropas agora denominadas de brasileiras cercaram as forças portuguesas e a derrotaram entrando em Salvador a Dois de Julho de 1823. Madeira de Melo foi derrotado e se retirou rumo a Portugal. O povo e os soldados vitoriosos ocuparam as ruas de Salvador seguindo pela antiga estrada do gado.

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