Conversando com a sua História | SETEMBRO

Conversando com a sua História | SETEMBRO

O Conversando com a sua História - promovido pelo Centro de Memória da Bahia, vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA - acontecerá todas as terças-feiras, às 17h, no Espaço Xisto Bahia (Barris). O curso oferece certificado de atividades complementares com a carga horária de duas horas para os participantes.

Confira programação completa do mês de setembro:

CSH5 DE SETEMBRO, 17h | Do Samba ao Funk: Música Negra e Politica no Brasil
Local: Biblioteca Central do Estado da Bahia (Espaço Xisto Bahia)
Palestrante: Osmundo Pinho - Antropólogo. Doutor em Ciências Sociais (UNICAMP, 2003). Estágio Pós-Doutoral (CAPES, 2014) no Departamento de Estudos da África e da Diáspora da Universidade do Texas em Austin. Professor no Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB e no Programa de Pós-graduação em Estudos Étnicos e Africanos da UFBA.
Essa apresentação busca considerar a contradição incorporada nas formas expressivas da música popular, realizada como contra narrativa no interior e em oposição as versão monumentalizadas para a estabilização da identidade nacional no Brasil. Nesse sentido a música negra no Brasil será considerada como fenômeno social, como plataforma de identidade e como discurso-expressivo. Mais do que isso, a palestra irá discutir como as sociabilidades e territórios, representações e identidades produzidas em torno, ao redor ou em relação a formas musicais tem sido na história brasileira lócus de um conflito entre concepções legítimas ou ilegítimas, vernáculas ou eruditas, autorizadas ou marginais da nação, da modernidade, do corpo/raça e da cultura.

CSH12 DE SETEMBRO, 17h | Movimento de mulheres, feminismo e PCB: história e historiografia
Local: Biblioteca Central do Estado da Bahia (Espaço Xisto Bahia)
Palestrante: Iracélli Alves - Doutoranda em História pela Universidade Federal Fluminense. Mestra em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2015). Graduada em Licenciatura Plena em História pela Universidade do Estado da Bahia (2013).
A palestra será dedicada à reflexão acerca da militância feminista de mulheres do Partido Comunista Brasileiro (PCB), especialmente entre 1949 e 1975. O que se propõe é uma breve análise sobre a história e a historiografia tanto do feminismo quanto do comunismo no Brasil, tomando como base as experiências do PCB. Em 1949, mulheres ligadas ao partido fundaram a Federação de Mulheres do Brasil (FMB), com o objetivo de construir um movimento feminino nacional e unificado. Ao que parece, elas foram incorporando no discurso oficial do PCB a chamada, à época, “questão feminina”. Em 1975, provavelmente em decorrência das experiências vividas, o PCB publicou um texto de autocrítica legitimando o feminismo. A partir de então passou a atribuir conotações positivas ao movimento, constituindo-se uma novidade em seu discurso. A intenção é propor uma discussão sobre uma história que vem sendo moldada por memórias de sujeitos políticos que viveram as experiências narradas. O seu desenrolar é marcado por disputas que ainda não se atenuaram. Em linhas gerais, buscará problematizar a história recente do feminismo, analisando como ela está conectada às narrativas elaboradas por mulheres que participaram ativamente da construção do movimento no país a partir da década de 1970, fato que, por vezes, contribui para o esquecimento / silenciamento das experiências anteriores.

CSH19 DE SETEMBRO, 17h | “GOSTA DESSA BAIANA?”: Crioulas e outras baianas nos cartões postais de Lindemann (1880-1920)
Local: Biblioteca Central do Estado da Bahia (Espaço Xisto Bahia)
Palestrante: Isis Freitas - Graduada em História pela Universidade Federal da Bahia, é mestre em História pela mesma instituição. Atua como pesquisadora nos campos de História da Escravidão e Pós-Abolição e História da Bahia. É graduanda em Direito pela Faculdade Social da Bahia e desenvolve pesquisa sobre os legisladores baianos.
O objetivo será investigar o processo de construção da imagem da mulher de cor da Bahia em símbolo local nas últimas décadas do século XIX e iniciais do XX. Esta construção não se realiza de maneira unilateral e sem conflitos. Os principais pontos que serão abordados são as construções imagéticas que falam das identidades destas mulheres e que circularam em postais, fotografias e discursos literários, além das análises dos processos que envolveram a produção, circulação e leituras possíveis destes objetos com o intuito de perceber as dinâmicas sociais que o norteia. Como guia será abordada a trajetória, na Bahia, do fotógrafo Rodolpho Lindemann, autor e divulgador de duas séries de postais que trazem as mulheres de cor da Bahia como tema; a interação entre fotógrafos e modelos nas ruas e nos estúdios de Salvador e as dinâmicas que envolveram a autorrepresentação. Irá ser discutida também esta mesma construção sob o ponto de vista da interação entre as classes dominantes de Salvador com as mulheres de cor que trabalhavam em seus lares. O lar branco torna-se local de construção de uma memória que acaba por produzir as “baianinhas”, símbolo ressignificado de uma cultura local.

CSH26 DE SETEMBRO, 17h | Mulheres proprietárias: donas de negócios e de suas vidas.
Local: Biblioteca Central do Estado da Bahia (Espaço Xisto Bahia)
Palestrante: Silmaria Brandão - Possui graduação em Licenciatura em História pela Universidade Católica do Salvador (1986) e Mestrado e Doutorado em Estudos Interdisciplinares Sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (2007), com interesse em estudos de História da Bahia, Mulheres e Relações de Gênero. É formada em Direito pela Universidade Católica do Salvador (1990) e exerce a função de Analista Judiciário no Tribunal de Justiça, com experiência em Direito do Consumidor. Atualmente é professora da Secretaria de Educação do Estado da Bahia.
O tema proposto para esse encontro está relacionado à viuvez feminina entre comerciantes do século XIX. O objetivo é trazer ao público a trajetória de mulheres que, herdeiras dos bens dos falecidos esposos, se viram premidas a assumir novos encargos decorrentes da alteração do estado civil, ocupando espaços antes insólitos para as mulheres. Elas passaram a exercer o papel de chefes de família, responsáveis pela condução dos negócios e manutenção dos filhos numa sociedade em que a figura masculina ocupava papel central. Irão ser discutidas as estratégias de sobrevivência dessas personagens, aparentemente desprovidas de poder e pouco visíveis na história oficial, além de evidenciada sua contribuição para a economia local, a criação e formação dos filhos, através do exercício da autonomia que a sua condição lhes proporcionava, constituindo-se na exceção a regra do estereótipo da mulher frágil, improdutiva e consumista, cujas ações necessitavam sempre ser capitaneadas pelo pai, pelo marido ou pelo Estado.
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