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16/05/2018 14:20

Sagrado e inofensivo a saúde a ayahuasca vive sob preconceitos e polêmicas por falta de conhecimento

CSH
Fotos: Diego Santoro


“É um assunto importante para um debate, num espaço público, pois é uma oportunidade para informar e desmistificar conteúdos divulgados na mídia de forma equivocada” afirmou a jornalista Denny Maria Fingergut no último encontro do Conversando com a sua História, ocorrido na tarde de ontem (15). Ela ainda complementa que “O professor Juarez Duarte é um estudioso qualificado para falar sobre o tema e trouxe esclarecimentos científicos sobre o que é a ayahuasca e os benefícios que traz para as pessoas que fazem uso”, referindo-se ao tema da palestra.

cshNesta perspectiva de conhecer mais sobre a história da ayahuasca, o projeto Conversando com a sua História debateu sobre A espiritualidade brasileira e as religiões ayahuasqueiras com o intuito de desmistificar e esclarecer preconceitos existentes. O antropólogo e pesquisador Dr. Juarez Duarte apresentou elementos que afirmam que a ayahuasca é utilizada em rituais religiosos de forma sagrada. Ele destacou três principais religiões, genuinamente brasileiras, que fazem o uso do chá e tem o reconhecimento e autorização da legislação brasileira como, por exemplo, o Santo Daime, a Barquinha e a União do Vegetal que surgiu em 1961 e está presente em diversos países do mundo.

“A espiritualidade e a religiosidade brasileira são ricas, plurais e diversas. Na região norte do país surgiram religiões com características distintas de outras que é o uso da bebida ayahuasca. Isso aconteceu por volta das décadas de 50 e 60, no Seringal, e hoje tem milhares de pessoas no Brasil e no mundo”, disse o antropólogo.

Desde 1987, a ayahuasca é legalizada no Brasil e em 2006, a Suprema Corte dos Estados Unidos liberou o uso religioso do chá naquele país. Segundo o Juarez, a postura jurídica do E.U.A. fortaleceu o respaldo da liberação do chá abrindo espaço para o uso em outros países como Canadá, Austrália, Suíça, Espanha e Portugal, possibilitando que as pessoas exerçam seu sincretismo religioso. De acordo com ele, “todas as liberações são baseadas em pesquisas farmacológicas que comprovam que o uso é inofensivo a saúde”, disse pesquisador.

A palestra que aconteceu na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), destacou que o processo de liberação e legitimação no Brasil é histórico. Para a professora Elisa Pereira “é importante ter informações científicas sobre um assunto ou sobre a história. No geral, é comum pessoas criarem polêmicas de fatos e temas que não conhecem. Ouvir um estudioso na área é bom para ter mais conhecimento e ter um olhar mais próximo da realidade”.

Atualmente, as pesquisas são registradas no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), órgão federal do gabinete da presidência da República Federativa do Brasil. Esse é o conselho que delibera o uso da ayahuasca no país e que reconhece o chá como bebida sagrada e com substâncias inofensivas a saúde.

Estas informações atualizadas da liberação estão contidas na resolução do CONAD e publicadas no Diário Oficial da União. Além disso, sua farmacologia é objeto de estudos internacionais e a Organização das Nações Unidas (ONU) possui parecer favorável à ayahuasca. A resolução ainda afirma que o rito de comunhão do chá se constitui com um legítimo ato de fé no território nacional.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

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